Cuide-se como se fosse uma criança, mas não aja como tal!

 

Muito se fala a respeito de cuidar da criança interior, mas o que isso significa? Bem, essa é uma metáfora que precisa ser bem apurada. No lado negro da força, o que resta da nossa infância que possa brecar algumas ações na vida adulta, é o emocional retraído, a parte da meninice que ninguém gosta de lembrar, as situações dolorosas que influenciam muito mais o nosso dia a dia do que possamos imaginar. São as rejeições sofridas, os abusos de toda ordem, os acontecimentos embaraçosos que fazem com que nos tranquemos em nós mesmos, etc.

Não existem alternativas ou atalhos menos “penosos”, é preciso enfrentar e crescer! Crescer na responsabilidade por si mesmo, por não culpar os pais, a vida, os colegas de escola ou uma professora malvada. Essa conduta infantilizada faz com que bebezões de 40 anos, se sintam no direito de ter direitos, já que guardam feridas emocionais que os impedem de se comportar como senhores de si. O pior da criança interna ferida é o adulto mimado e ferido, pois é isso que fica exposto para os outros. Esses se tornam adultos inseguros, dependentes de aprovação externa, com péssima autoestima, ficando sempre à espera de alguém que os compreenda e que dê tudo o que eles querem, ou seja, o mundo deve mimos a eles (este é o pensamento da criança interna, que exige atenção e recompensas). Cuidar da sua criança interna não significa se comportar como tal!

Cuidar de si mesmo como se cuidasse de uma criança pequena, significa tratar-se com amor, cuidado, falar consigo mesmo com docilidade, zelar por si nos mínimos detalhes. Esse fino trato que se perde no avançar do tempo, nos mostra quando não somos mais nossas prioridades. Para retomar essa atitude de amor próprio, é preciso liberar a criança mimada, usar a sabedoria da maturidade para acolher essas falsas impressões gravadas em nossos inconscientes liberando o que não nos beneficia nem aos que estão ao nosso redor.

É isso mesmo, todos temos um pouco da nossa infância fortemente registrada em nossa vida adulta. Essa reflexão não se refere simplesmente a deixar emergir o lado mais precioso da infância, que abrange a pureza para se relacionar, a curiosidade criativa, a liberdade em expressar o que pensa com segurança e determinação, a contemplação sincera do mundo a nossa volta, entre outras características do ser humano em sua fase mais verdadeira, sem medos, sem neuras, sem rótulos. Essa reflexão nos remete a compreensão de que a pirraça e o querer por querer nos limita não só a visão, como a atuação independente e única. Essa forma de vingança camuflada em voz infantilizada, nada mais é do que um pé no freio de uma vida próspera em todas as áreas. Cresça e apareça!